Foram anos difíceis aqueles da ditadura. Havia uma vigilância constante nos movimentos estudantis, esses de três ou quatro estudantes reunidos numa esquina ou mais. Não era fácil, me lembro que estudava na Escola de Comércio Cristóvão Colombo, eu e Torres subíamos a Praça José Bonifácio adentrando a Morais Barros e íamos até o Alfredo Guedes, e na esquina da XV, ficamos batendo um bom papo. Torres com suas idéias e eu com as minhas, trocávamos figurinha até cerca de 23h15min da noite, das 22h00min horas que deixávamos o colégio comercial, assim sendo cada um seguia o seu caminho, nos dias de frio, cobertos pelo, sobretudo de não lembro o quê!
Não nos envolvíamos em política de jeito nenhum, mas me lembro que eu e Torres fomos para a Faculdade de Administração de Empresas no ano seguinte, e tivemos a surpresa de uma greve da cantina. Veio o pessoal do Dops e cadastraram todos os estudantes que se envolviam e agitavam àquela greve de cantina, assim sendo, nós ficamos retidos na hora do recreio nos corredores da Faculdade.
Ainda não era Universidade, era apenas Faculdade de Administração e Economia e Ciências Contábeis, a ECA, a mesma que tinha um diretório ali em frente do Colégio Piracicabano. Nossa amizade veio a se perder, namorando cada um uma e todos no seu canto e no seu espaço, veio a separar a amizade que nunca mais voltou!
Tivemos neste ínterim, o Tiro de Guerra, eu passava na casa de Torres que era uns três ou quatro quarteirões de minha casa, e Torres fazendo a barba num espelho numa árvore no fundo de quintal de sua casa, pegava a DKV de seu irmão e me levava ao TG 02-36, em que o comandante era o Sargento Magalhães, que nunca mais tivemos notícias dele, que já era doente naquele tempo.
Enfrentar Tiro de Guerra, Faculdade e serviço nesses bons tempos vale a pena avaliar melhor nossas amizades que findaram no decorrer do tempo, como muitos que freqüentaram a ECA composta de trabalhadores e burgueses, nós nunca mais nos encontraríamos em recordações dos velhos e bons tempos. Muita gente boa passou por ali, mas nunca mais nos reunimos mesmo com todos em boa situação financeira.
É uma pena que isto não aconteceu, valeu o esforço do professor Roberto Tayar em fundar uma associação registrando os diplomas de técnicos em administração, mais a devoção de seu auxiliar, o Ferezini, nosso colega, mas não conseguimos nos reunir em mais nenhum dia.
Clovis Rolim da Silveira é ex-aluno de administração de empresas da Unimep, graduado no ano de 1981 e trabalha como assistente fiscal no Posto Fiscal de Piracicaba.






